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Papo de guitarrista com Cauê Leitão: #1 Paulo Schroeber ex-Almah

Fala galera, como estão? A alguns anos atrás (cerca de 7~8 anos) comecei a jogar um joguinho bobo chamado "Guitar Flash" e que hoje é uma virose incrível na internet, por lá eu conheci a banda "AndragoniA" que hoje é a minha preferida quando o assunto é "bandas de São Paulo".

Conheça artigos do Andragonia e Cauê Leitão pela Imprensa do Rock.
Entrevista: Ricardo DeStefano (Vocalista)
Entrevista: Thiago Larenttes (Guitarrista)
Entrevista: Cauê Leitão + Resenha CD "Lab Guitar Experience" (Guitarrista)
Cobertura: Workshop Cauê Leitão e Thiago Larenttes

Em meados de Dezembro de 2012, tive a honra e a oportunidade incrível de conhecer os guitarristas da banda. Um workshop memorável em São Paulo, papo bastante amigável com os guitarristas e ainda com direito a compra de CD do Cauê Leitão e autógrafo. E quem diria que logo depois disso, ele mesmo deu a  ideia de uma coluna própria na Imprensa do Rock.

Cauê Leitão também é cliente da Assessoria de Imprensa ISLAND PRESS. Acessem o SITE e CURTAM A PÁGINA NO FACEBOOK. Lá vocês encontrarão o melhor do Rock N' Roll e Metal nacional de primeira qualidade. Contando com agenda de shows ainda.

O Cauê Leitão estará uma vez por mês realizando entrevistas com os melhores guitarristas pelo Brasil afora na sua coluna especial "Papo de guitarrista com Cauê Leitão".

Hoje iremos inaugurar a coluna com a entrevista do ex-integrante do "Almah", Paulo Schroeber, em um papo muito interessante contando sobre o seu estado atual, por quê a saída repentina do Almah e como o músico hoje está se saindo depois de ter deixado a banda.

Paulo Schroeber (ex-Almah) em apresentação


Cauê Leitão - Fala galera! Aqui é o guitarrista Cauê Leitão e estou muito feliz em começar a coluna "Papo de Guitarrista" com o ilustre Paulo Schroeber.

Na minha opinião o Paulo é um dos maiores guitarristas do mundo, sem sombra de dúvida. Fiquei emocionado por ele ter me citado em uma de suas repostas, dizendo que admira meu trabalho e que é diferenciado. Sem palavras!!

Galera, pensamento positivo para o Paulo, se Deus quiser ele vai se recuperar logo do seu problema e vai voltar a nos dar alegria com sua guitarra. Divirtam-se com esse papo com o Paulo que é um exemplo de músico a ser seguido!!

Paulo, primeiramente eu agradeço muito por tá batendo esse papo com você, a galera que me conhece sabe que sou muito fã do seu trabalho. Bom vamos lá!

Eu acompanho sua carreira a algum tempo, você tava na banda Almah e fez uma vídeo aula tocando musicas da banda, lançou um CD solo chamado Freak Songs e conquistou uma legião de fãs guitarristas. Infelizmente devido ao problema de saúde que você tem, acabou saindo da banda. Eu sinceramente fiquei bastante triste com isso, queria te ver cada vez mais lá em cima. Você é um cara que tem essa preocupação de soar original, assim como Tosin Abasi (Animals as Leaders) e Mattias IA Eklundh (Freak Kitchen), quando escuto você já sei que é o Paulo Schroeber que está tocando. Você sempre se preocupou com isso?

Paulo Schroeber - A pergunta já é um elogio, muito obrigado, pois o Tosin Abasi em minha modesta opinião é o melhor guitarrista dessa geração. Na verdade essa é a minha maior preocupação quando eu gravo alguma coisa, e sempre foi, tentar soar o mais original possível. Comecei fazendo isso no Almah, e desenvolvendo mais no álbum instrumental, que dá bem mais possibilidades de ir para caminhos diferentes em uma mesma música. Me preocupo muito com meu fraseado, e tento usar recursos que possibilitem sair da mesmice, ou tentar pelo menos, apesar de hoje em dia isso ser muito difícil de fazer. Aliás, para mim é o mais difícil, mais do que tudo o que envolve o estudo da guitarra.

"1984" Participação de Paulo Schroeber no Hammer 67.


Cauê Leitão - Qual é a sua formação como guitarrista? Você teve professores? Fez conservatório de música? Sua rotina de estudos pelo jeito era de 10 a 15 horas por dia, estou certo?

Paulo Schroeber - Minha formação é clássica, e fui direto contra toda minha família, que queria que eu fosse alguma outra coisa, mas a vocação foi minha maior força e no fim eles entenderam. Hoje em dia entendo o ponto de vista deles, pois como estou doente e sem INSS tive que dar aula passando mal pra caralho para pagar as contas, ainda por cima depois que fui descobrir que tomei um medicamento no hospital direto na veia que eu era alérgico, e cheguei psicologicamente e fisicamente totalmente alterado em casa.

Até hoje eles não entendem muito bem o tipo de música que eu faço, minha mãe até gosta um pouco de Almah, pelo fato de ser um pouco mais melódico. Tive três professores. O primeiro me ensinou o básico, ler partitura, os acordes, etc. Com o segundo eu comecei a estudar violão clássico junto com a guitarra, e aprendi muita coisa, inclusive a disciplina que envolve todo o processo de aprendizado. Lembro que tocava peças de Villa lobos, Sagreras, Bach, Sor, até hoje dou uma pegada no violão para matar a saudade pois gosto demais do som do instrumento. Infelizmente fui fraco e não consegui levar os dois instrumentos ao mesmo tempo, pois o clássico exige disciplina extrema, tem que tocar todo o dia, além de o velho problema das unhas, pois não consigo fazer os tappings na guitarra com as unhas compridas, então sempre fico nesse dilema de cortar as unhas ou não. E o terceiro foi o mestre Julio Herrlein, para mim é um gênio da guitarra, foi aonde comecei a aprender a pensar de outras formas e mudar meu fraseado.

Lembro que saia da aula sempre arrasado, pois esse cara realmente é impressionante, foi uma honra ter tido aulas com uma pessoa tão simples e ao mesmo tempo tão sábia, parecia que o conhecimento dele nunca tinha fim. Acabei de comprar o livro dele, para quem gosta de uma encrenca é compra certa.

Quando comecei a estudar violão, estudava umas 12 a 15 horas por dia, pois eram dois instrumentos, lembro que quando ia almoçar deixava já a guitarra do meu lado para que quando acabasse de comer já saísse tocando.

Teve um feriado que eu passei três dias inteiros tocando sem dormir, e foi muito engraçado pois minha irmã pensou que eu estava ficando louco... Talvez estivesse mesmo... pois tinha que provar para meus pais que eu era capaz de vencer na música.

Cauê Leitão - Sua postura tocando é uma coisa impressionante, os dedos ficam tão colados nas cordas que as vezes nem parece que se mexem (risos), a sua meta era atingir o auge do virtuosismo?

Paulo Schroeber em "To My Father" canção instrumental.


Confira "Fragile Equality" completo por Paulo Schroeber.


Paulo Schroeber - Não, nunca pensei nisso. Apenas prestei atenção no que meu segundo professor (Merônio Sachet) me disse ao passar os exercícios de coordenação no violão, para não levantar o dedo mindinho ao tocar. Fiz só isso, e tudo o que eu tocava passou a sair dessa forma, foi uma coisa meio natural e espontânea, nunca pensei em atingir o auge de nada, pois sempre vai haver alguém melhor que você e o indivíduo tem que lidar com isso não como uma competição, mas com admiração, humildade e reconhecimento para com os outros músicos que são melhores que você.

Cauê Leitão - Temos o Steve Vai que gosta do clima Lídio, o Malmsteen que usa muito o frígio maior, e você, que climas modais você curte mais usar nas suas musicas?

Paulo Schroeber - Hoje em dia estudo, ou estudava, pois tenho que resolver mais um problema com meu CDI (marcapasso) antes, livros que abranjam os modos como um todo e não só como um centro tonal soando apenas uma escala, ou seja, é um raciocínio bem simples para quem tem formação jazzística, misturar vários modos (Pentas, Maior, Harmônico, Melódico, Tons Inteiros e Diminuto) em um mesmo trecho e não usar apenas uma escala.

E o principal, pensar na dissonância das 12 notas em cima dos acordes, pois se você for pensar o conceito de nota errada pode ser analisado de diversas formas, pois todas elas possuem características distintas em cima de determinado acorde.

O que foi me ensinado (e acho muito coerente) é que não existe nota errada, apenas aquelas em que vão soar mais ou menos tensionadas, portanto você pode tranquilamente dependendo do estilo de música soar diferente usando o modo jônico pensando dessa forma, pois pode acrescentar notas de tensão e fazer o que bem quiser, acabando que por utilizar também notas de outros modos.

Ou tocar qualquer nota que esteja no meio do acorde, e também se desejar tocar qualquer coisa, o que pode parecer loucura, mas uso algumas vezes dentro do conceito de analisar todos os intervalos em cima dos acordes e não o modo x ou y isolados. Ou seja, há diversas maneiras de pensar e tem que estar aberto a todas elas.

Cauê Leitão - Quais guitarristas mais te influenciaram? Tem algum guitarrista brasileiro que você costuma ou costumava escutar?

Paulo Schroeber - Bom, como na minha vida foram várias fases, eu gosto de diversos estilos de música, não só Metal, e também não só pelo fato de eu ser músico, afinal a pessoa que quer viver de música tem que tocar de tudo, e isso eu já fiz, o que considero uma grande escola, tão importante quanto você sentar na cadeira e praticar. No Metal, que foi por esse estilo que comecei a tocar, posso dizer que o guitarrista que mais me influenciou foi o Tony Iommi, com seus riffs geniais e pesados. Lembro há 24 anos atrás a primeira vez que eu ouvi Black Sabbath fiquei assombrado com o peso da guitarra.

Além de citar o Wolf Hoffmann do Accept, com sua precisão e influência neoclássica, esse sim foi o primeiro guitarrista que eu ouvi na vida, fiquei apavorado literalmente quando ouvi "Fast As A Shark" do álbum "Restlesss An Wild", cheguei até a chamar meu vizinho, depois disso tudo na minha vida mudou.

Depois vieram Glenn Tipton, Dave Murray, Angus Young, Ritchie Blackmore e todas as bandas que eu conseguia ouvir dessa época. E que ouço até hoje. Passado um tempo um amigo de meu primo trouxe de Los Angeles o "Ride The Lightning" do Metallica e o "Show no Mercy" do Slayer, aí o bicho começou a pegar, pois, comecei a ouvir coisas mais pesadas e assim sucessivamente até chegar ao Death Metal.

Posso dizer tranquilamente que sou influenciado por Trey Arzagthoth do Morbid Angel e o Mantas do Venom, pois gosto muito de bandas de Trash e Death Metal, mas do simples ao mais musical e o mais técnico, só não ouço muito mais Death Metal Extremo, coisa que eu ouvia direto quando era moleque.

Tempos depois novamente mais uma reviravolta, caiu na minha mão um vinil de um guitarrista chamado Yngwie Malmsteen e novamente levei um choque, pois nunca havia ouvido algo parecido, e bem na época que saiu o "Rising Force" estava começando a aprender a tocar.

Foi como um soco na cara, apesar de não ser uma influência em minha maneira de tocar, esse disco foi de suma importância, pois foi aí que comecei a ouvir todos os guitarristas da época dos anos 80, Vinnie Moore, Paul Guilbert, Greg Howe, Tony Macalpine, Frank Gambale, Marty Friedman, Steve Vai, um pouco de Satriani e uma infinidade de outros guitarristas, mas o que posso citar como influência sem sombra de dúvidas foi o Jason Becker, lembro que queria tocar como ele e ter a mesma sonoridade característica, com aquelas pentas meio orientais, escalas ciganas, bends de meio tom em notas de aproximação do acorde, na verdade foi o Marty Friedman que começou essa coisa, mas o Jason Becker elevou esse estilo a outro nível.

Depois comecei a me interessar por Fusion e Jazz, além de sempre estar ouvindo música Clássica orquestrada e tocada no violão. Posso citar Andrés Segóvia como influência, pelo seu extremo sentimento e interpretação inconfundíveis. Quando ouço a Chaconne interpretada por ele sempre me emociono demais, não tem jeito.

Tem o trio de violões também que eu ouvi muito, em outra praia, formado pelos mestres Paco de Lucia, John Mclaughlin e Al DI Meola, que até posso citar como influência também. Ouço bastante Bach, as Suites de Cello são lindas e os Concertos de Branderburgo, o virtuosismo de Niccolò Paganini (até hoje tento tocar o Moto Perpetuo), Vivaldi, Mozart, o contemporanismo de Stravinsky e uma infinidade de outros compositores.

E para finalizar atualmente ando pesquisando alguns novos guitarristas, posso citar o John 5, Tosin Abasi, Buckethead, Misha do Periphery, o cara do Meshuggah, mas o que mais ouço é o Tosin Abasi, quando vi o clipe do "Animals As Leaders" entrei em choque, sério, num momento em que estamos onde praticamente tudo já foi feito aparece uma cara tocando com aquela sonoridade que nem eu sei explicar, e ainda por cima com uma guitarra de 8 cordas. Hoje em dia meus preferidos são o Tosin, Guthrie Govan e o mestre e pai Allan Holdsworth.

Dos brasileiros tem o meu professor Júlio Herrlein, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, e no país também há uma imensa quantidade de músicos fantásticos, mas que ouço e admiro, mas que não pode ser citado como influência, como o fantástico André Niéri, Luciano Magno e uma infinidade de outros, e sem rasgação de seda, além de você também que vem fazendo um trabalho diferenciado.

Só não curto muito os que postam covers no You Tube, que são ótimos guitarristas, mas que não estão tocando seus trabalhos autorais.

Cauê Leitão, guitarrista do Andragonia agora colunista da Imprensa do Rock.

Cauê Leitão - Sobre escalas simétricas, escalas exóticas, você gosta de pesquisar e utilizar essas sonoridades não muito convencionais?

Paulo Schroeber - Me interesso muito por escalas exóticas, mas no final das contas, algumas delas acho muito parecidas com algumas escalas que conheço com uma ou outra nota acrescentada. Uso às vezes o conceito de escalas exóticas, mas por exemplo, a escala Japonesa é apenas o modo Eólio sem quarta e sétima.

Então as vezes uma está dentro da outra em alguns casos, mas a maior harmônica, tem apenas a terça maior de diferente da menor e já muda toda a sonoridade. São questões de como a pessoa raciocina, como disse anteriormente na quarta pergunta.


Cauê Leitão - No começo de carreira geralmente temos muitas dúvidas, a família fica em cima cobrando faculdade e um emprego certo, você teve problema com isso? Precisou trabalhar em outras áreas?


Paulo Schroeber - Tive muitos problemas com minha família no início. Quando meu segundo professor me convenceu a largar de tudo e viver da música nem sabia o que estava fazendo, apenas dava algumas aulas no meu quarto, eu sentado na cama e o aluno em uma cadeira na minha frente.Tinha até um cara que eu dava aula antes dele ir trabalhar, às 5:30 da manhã!!!

Foi um caos, minha mãe chorou, meu pai que era muito rígido, até hoje nunca me deu um elogio, mas precisava de um pai assim, pois se fosse de outra forma talvez não tivesse estudado tanto e dado tanto valor ao meu trabalho, pois como não tinha grana para nada vivia fazendo rolos com trocas de vinis por encordoamentos, esse tipo de coisa.

Teve um episódio muito engraçado, todo fim de ano era a mesma coisa..."aquele vagabundo vai resolver fazer alguma coisa?", ficava um pouco triste, mas me dava muita força para provar que eu iria conseguir, pois depois de ver que o metal na época não estava mais dando, resolvi montar uma banda de Rock alternativo com vocal feminino para tocar na noite, a garota que cantava era excepcional, devido ao fato de que minha guitarra era muito pesada e contrastava com o vocal dela e seu carisma absurdo, acabamos por um ano depois deslanchando e tocando muito, e por conseguinte ganhando bastante dinheiro, aí vieram os alunos e vivia muito bem.

Posso afirmar que foi uma das melhores épocas da minha vida, tinha uma parede de Marshalls e Mesas Boogie atrás de mim, tocava muito alto, bebia muita cerveja e ganhava uma grana bastante considerável e me divertia demais. Inclusive teve um episódio engraçado, de tão alto que a gente tocava a vocalista não conseguia se ouvir no EarPhone, em um show na praia que fizemos aqui, inacreditável a nossa falta de noção.

Depois que meus pais viram que dava para ganhar grana com música e estava ganhando mais que a minha irmã que era psicóloga na época, pararam com o preconceito.

Em compensação hoje a história é diferente, o cenário já não existe, apenas barzinhos pequenos e cachês ridículos, além de sempre ter que tocar a mesma coisa.

Assista "Beyond Tomorrow" com Paulo Schroeber ainda no Almah.

Cauê Leitão - Quais são suas atividades no momento?

Paulo Schroeber - Para falar a verdade é meio triste falar sobre isso, pois não estou fazendo nada. Estou tentando melhorar do meu problema cardíaco, e estou já há uns 4 anos na batalha, e a seis meses sem fazer absolutamente nada, e nem sei quanto tempo vou viver, pois dependo de um marcapasso para diminuir meu ventrículo esquerdo, se não diminuir, sinceramente ou vou para o transplante ou acabar morrendo. É difícil falar sobre isso, mas essa é minha situação atual.

Estou com umas dores no peito onde se encontra o CDI e tenho que resolver isso primeiro, depois é ter muito foco e fé que o aparelho vai se adaptar e remodelar meu coração. A chance em pesquisas é de 30% de acontecer alguma coisa e 70% de nada acontecer.

Estou aprendendo a viver novamente e principalmente a ocupar a minha mente, para não entrar em depressão, pois praticamente tudo me foi tirado, mas acredito que tudo tem um motivo e não estou revoltado, estou apenas tentando sobreviver, pois ainda consigo tocar, o problema são as dores do aparelho que de alguma forma não se adaptou muito bem ao meu corpo, ou houve um erro médico, já vou descobrir.

"A chance em pesquisas é de 30% de acontecer alguma coisa e 70% de nada acontecer."

Cauê Leitão - Na visão de Paulo Schroeber, qual seria a solução para o Metal no Brasil?

Paulo Schroeber - Olha, sendo bem sincero, existem guitarristas no Brasil que tocam muito melhor que guitarristas internacionais. Meu próprio professor, que é no mínimo um gênio, tem poucos views em seus vídeos no YouTube, e é um exemplo.

É questão de valorização ao que temos aqui, mas não um lance forçado... Tipo, tenho que apoiar o Metal Nacional, vai se curte, compra a camiseta se gosta, na Europa é a mesma coisa, quando uma banda nacional diz que vai fazer uma turnê na Europa toca para 10, 50 pessoas no máximo, pois ninguém conhece a banda.

Porém se o dono do bar põe mais duas ou três bandas da região tocando junto, já leva mais gente e 100 pessoas tomando cerveja em uma terça feira já é lucro para o proprietário.

Digo isso pois conheço pessoas que foram para a Europa ano passado e disseram que estava muito fraco, sendo a terceira ou quarta vez que foram e me disseram que o cenário lá funciona assim para bandas menores.

Se investe muito dinheiro em gravação de CD's, gravação de vídeo clipes, mas infelizmente o retorno desse investimento é quase zero se for pensar em uma banda de pequeno médio porte, então o negócio é fazer porque gosta mesmo, ou para um guitarrista existe o retorno de algumas pessoas que se interessam em fazer aulas com o indivíduo.

Cauê Leitão - Hoje em dia qual equipamento que você usa? (Amplificadores, pedais, guitarra, captador, cordas)...

Paulo Schroeber - Usava um Mesa Boogie Simulclass 90:90 ligado em um Triaxis, e um Lexicon Mpx-1 para efeitos, um Power Conditioner da Furmann para estabilizar a voltagem ligados em uma caixa Marshall 1960/A e um Foot Roland FC-300 para controlar.

Hoje em dia troquei o Triaxis, que está com problemas por um Recto Pré também da Mesa Boogie e não uso nenhum efeito, pois o midi do Triaxis só me deu dor de cabeça, e olha que já tive dois, e com os dois foi a mesma coisa. Atualmente ele já está embalado para eu mandar para o concerto. Uso guitarras Andréllis Ps-1 (7 cordas), Nunez By Andréllis Ps-8 (8 Cordas).

Uso encordoamento 0.10 e atualmente uso qualquer marca, depende da minha vontade. Costumava usar Elixir, mas como não tinha 7 nem 8 cordas era um problema. E o velho EMG 707 e 808 com baterias de 24 volts de captação.

"Red Streets" Paulo Schroeber com ASTAFIX.


Cauê Leitão Hoje você vive de Guitarra?

Paulo Schroeber - Vivia bem de música, mas como disse anteriormente minha saúde está prejudicada, e hoje em dia como paguei apenas dois anos de INSS tenho que me virar com as aulas de guitarra de maneira moderada, mas por enquanto ainda tenho que resolver o problema com o CDI, então estou preso a isso.

Cauê Leitão - Mais uma vez eu agradeço por estar dando essa entrevista, Paulo. Agora vou te pedir para dar uns conselhos para os guitarristas, fique à vontade!

Paulo Schroeber - Olha, se você tem um sonho, corra atrás dele mesmo que pareça impossível, mesmo que as consequências não sejam as que você sempre sonhou financeiramente, ou que o retorno não seja imediato, ou que sua família não vá aprovar de início.

A vida é uma eterna provação, e prove a você mesmo que você consegue, para que no fim das contas você esteja sentindo que o trabalho foi finalizado com êxito, mesmo que com muitos sacrifícios e dificuldades.

Apenas seja feliz, e não viva como uma pessoa frustrada para o resto da vida, pensando "puxa, e se eu tivesse feito diferente?"... Nunca se arrependa do que fez. Se isso faz você se sentir realizado, não há dinheiro no mundo que pague isso.

Muito obrigado.
Paulo Schroeber

Cauê Leitão é guitarrista da banda Andragonia e tem seu trabalho solo de guitarra instrumental.


Cauê Leitão com o Andragonia em "Threshold".


Victor Francisco (Editor-Chefe)
Obrigado Cauê Leitão e Paulo Schroeber.

- PARCEIRO -
"ISLAND PRESS"

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